segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ragnarök, ou uma espécie de apocalipse peludo


Lembro-me que estava a chover muito nesse dia. Colocaram-me numa mantinha e levaram-me para fora, para as escadas de um prédio, e deixaram-me lá sozinho, ao frio e à chuva, apenas com uma pequena taça com comida e outra com leite. Não comi. Passei a noite cheio de frio, de fome. De medo. Chamei e chamei, mas ninguém voltou para me vir buscar. Acabei por encontrar um local mais quente, longe da manta onde me deixaram, entalado no exaustor de uma loja duas portas ao lado.
No dia seguinte de manhã, um rapaz apanhou-me e levou-me para dentro da loja. Na altura não o consegui ver muito bem, porque tinha os olhos colados com as remelas e o líquido estranho que me escorria dos olhos. Colocou-me numa caixa de papelão e tentou acalmar-me, mas estava com tanto frio e medo... O rapaz e as outras pessoas da loja perguntavam aos clientes se queriam um gatinho, mas todas responderam que não queriam ou não podiam. Uma sugeriu que me voltassem a colocar na rua, mas o rapaz que me recolheu ficou muito zangado e disse que não. Passado algum tempo ele levou-me para um novo lugar, para uma casa.  Colocou-me no wc com um cobertor fofinho, comida e leite próprio para gatos, mas eu não comi. Depois ele teve que sair e voltei a ficar sozinho. Continuava com muito medo.
Passado algum tempo, apareceu uma rapariga. Também não a conseguia ver muito bem. Tentei bufar-lhe, mas não tinha forças. Pegou-me e tentou dar-me banho, mas não queria sentir mais água. Fazia-me lembrar da chuva que me deixara gelado e com o nariz todo ranhoso. Ela desistiu do banho, mas percebeu finalmente que eu estava cheio de pulgas. Depois ela pegou num cotonete, molhou-o na água morna e, com calma, começou a limpar as remelas que tinham secado e quase fechado totalmente os meus olhos. Consegui vê-la pela primeira vez. Também devia ter um problema nos olhos, porque estavam cheios de água. Aconchegou-me junto dela, envolto na toalha com que me tentava secar o pêlo e fiquei, por uns segundos, a olhar realmente para ela. Percebi que não me ia fazer mal e fiquei agradecido. Encostei a minha cabeça ao peito dela e deixei-me, finalmente, dormir.
Algum tempo depois, o rapaz voltou. Estiveram os dois comigo algum tempo, a fazer-me festinhas e a tentar que eu comesse qualquer coisa. Adormeci. Quando acordei, estava tudo escuro e os humanos tinham desaparecido. Chamei e vieram logo a correr, aconchegaram-me e voltei ao sono. Quando acordei mais uma vez, chamei e lá estavam eles, novamente, ao meu lado.
No dia seguinte, o rapaz levou-me a uma senhora que tinha uma data de instrumentos que encostou em mim. Ele chamou-a de veterinária. Deu-me uma pica e fiquei ensonado, mas sei que isso matou as pulgas que tinha no pêlo. Nesse dia comi pouquinho, mas outra coisa me encheu que não foi comida: felicidade. Aqueles humanos tinham gostado de mim, por isso, decidiram que iriam ficar comigo e cuidar de mim. Chamaram-me Ragnarök. Às vezes é apenas Rag, mas eu gosto. Nessa noite miei quando me deixaram no sofá. Não que não fosse muito confortável, mas não queria ficar sozinho outra vez. A partir dessa noite, tenho dormido sempre com eles, umas vezes debaixo dos lençóis, outras em cima da coberta.
Agora sou um gatinho feliz, com peso saudável, brinco, pulo, roubo meias e faço muitas asneiras. A minha gripe está curada, graças à resiliência dos meus humanos que, durante semanas a fio, me limpavam os olhos e o nariz com soro fisiológico, me deram medicação e muito carinho. Não os trocava por nada. Gosto de comer, de ficar à janela, de atirar batons do cieiro ao chão, de atacar os rolos de papel higiénico e de brincar com a meia que os meus humanos arranjaram só para mim, para não destruir as deles. Gosto do miminho que me dão, de dormir no colo deles e de lhes morder ocasionalmente. Agora já não preciso de miar e chamar por mais ninguém, porque finalmente tenho o meu clã.


Se o bebé apocalíptico de quatro patas do Covil pudesse falar, seria mais ou menos assim que contaria a sua história. Se vos disser que me partiu o coração ver em que estado estava depois de ter sido deixado, na rua, ao frio e à chuva, por um monstro, é dizer pouco. A minha avó, pessoa mui sábia, dirá a qualquer um que "quem não gosta de animais, não pode gostar de pessoas". Não podia estar mais de acordo.

Dar-lhe um nome foi o passo decisivo. Se fosse uma menina, seria Leia, mas como é um menino, ficou Ragnarök, porque não há dúvidas que um gato é um apocalipse peludo a acontecer. Alguns dias depois do Rag estar no Covil e apesar de ter começado a interagir, cheguei a pensar o pior. Não comia quase nada e perdeu peso, quando já era estava praticamente pele e osso.

Felizmente, começou a melhorar. Pareceu um milagre. Começou a comer bem, a brincar e a saltar como um doido. Acho que ele sentiu que estava finalmente seguro e que podia confiar em nós. A gripe ainda persistiu algum tempo, mas passou. Foi um passo importante acolhê-lo, porque acarretou algumas responsabilidades, mas nos nossos destinos estavam entrelaçados. Hoje é o seu primeiro aniversário (ou aquele que  a veterinária estimou, visto que não sabemos realmente quando nasceu) e sua prenda foi uma lata de atum em água só para ele. A nossa prenda foi vê-lo saudável e feliz ^^



Em cima, a primeira foto do Rag quando foi apanhado da rua, muito doentinho. Depois, as primeiras fotos dele no Covil, já lavadinho e com os primeiros cuidados. Em baixo, já crescido e saudável ^^


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Mundo insólito made in Jiangsu

Imaginem aquelas situações em que precisam de fazer um pagamento ou um carregamento de telemóvel rapidinho e está à vossa frente uma criatura que está quase embutida no multibanco, a pagar a conta da água, da luz, do gás, das telecomunicações, da telebabysitter e da última encomenda de meias de descanso da velha tia solteira.

Ou então imaginem aqueles momentos em que estão cheios de tarefas diabólicas para fazer, entre elas ir ao pc apenas para ver uma coisinha, e o bandido encrava só para meter nojo, ao ponto de contaminar todo o hardware num raio de 1936 km de distância, até nos levar à loucura.

O mundo está cheio toda uma diversidade de situações insólitas, estrategicamente equacionadas pelo universo, para nos deixar no limite da nossa sanidade mental. Concordam comigo? Então continuem a ler. Se não concordarem, continuem a ler na mesma.

Certo dia, fui com o Moço ao IKEA. Quando voltamos, vínhamos, entre outras coisas, com um pacote de 1,80 m de altura e cerca de 20 kg no lombo (do Moço) pelos vários autocarros que tivemos de usar para chegar a casa. Dia seguinte, domingo, decidimos montar a estante que vinha no dito pacote, cuja compra não teve, obviamente, nada a ver com o facto de ser uma bookaddicted que continua, compulsivamente, a adquirir mais livros (e também a receber alguns, vá...!). Mas para a "bricolage caseira", seria necessário um martelo, artefacto que não existia n'O Covil. Por isso, o Moço decidiu ir aqui ao lado, designadamente, aos Chineses mais próximos, para comprar um, já que toda a gente sabe que estas lojas estão quase sempre abertas, sábados, domingos e feriados nacionais incluídos. Excepto quando precisas, ou seja, no ano novo lunar chinês.


Coisas da vida. Uns dias e uma borracheira asiática depois, restaurada a normalidade, já havia martelo e estante montada. Entretanto, as prateleiras da nova estante já estão quase cheias com os seus novos inquilinos instalados ^^

domingo, 2 de julho de 2017

Movies in Concert, da Lisbon Film Orchestra

Há alguma semanas, eu e o Moço fomos ao Movies in Concert, da Lisbon Film Orchestra, que decorreu no Coliseu do Porto. Foi completamente por acaso que me deparei com o evento nas redes sociais, e foi unânime que seria um óptimo programa para os dois.


Este ano, por ser o 10.º aniversário da Lisbon Film Orchestra, o espectáculo foi no Porto, ao invés de tomar lugar na capital. Durante o concerto, que durou cerca de 100 minutos, 54 elementos foram dirigidos pelo Maestro Nuno de Sá e presentearam a plateia com as bandas sonoras de diversos filmes icónicos da historia do cinema. Durante os pequenos intervalos, o jornalista Mário Augusto apareceu para deixar algumas notas e curiosidades sobre os filmes em palco e a cantora Ana Margarida (que interpreta "Já Passou", da versão portuguesa de Frozen) deu voz a algumas músicas.

Os filmes "em cartaz" foram:
  1. Star Wars
  2. Superman
  3. Forest Gump
  4. Back to the Future
  5. La La Land
  6. The Lord of the Rings
  7. E.T.
  8. 007
  9. The Schindler's List
  10. Harry Potter
  11. Paradiso
  12. Indiana Jones
  13. Mission Impossible
  14. Pirates of the Caribbians
Encore:
  1. Chicago
  2. Star Wars - The Imperial March

Como podem ver, foi escolhido o início perfeito, com a música de abertura de Star Wars, mas confesso que isso fez-me ficar um pouco triste porque não iria ouvir a Marcha Imperial... Claro que (felizmente!), estava enganada =P

Todos os filmes, como podem ver, são extremamente conhecidos e marcaram várias gerações, cujos símbolos/ logos foram projectados numa tela atrás da orquestra durante o concerto. Algumas das actuações contaram com músicas específicas das bandas sonoras das longas metragens em questão, como no caso de Star Wars ou Paradiso, outras eram medleys, como as de Lord of the Rings ou Chicago. Por vezes fechava os olhos para revisitar cenas de alguns desses filmes na minha cabeça. Houve sentimentos "a acontecer" a todo o momento. A actuação de Harry Potter chamou por diversas memórias, por todas as razões e mais alguma. No entanto, foi a música de The Schindler's List que mais me emocionou. Apesar de nunca ter visto o filme, tal não foi preciso para tocar "bem cá no fundo", quase me levando às lágrimas. Mas as interpretações que mais gostei, aquelas que me fizeram saltar da cadeira a cada acorde, foram o medley de Pirates of the Caribbians... and the Imperial March, of course!!


Como disse acima, por totalmente por um acaso que soube da existência deste espectáculo, ainda para mais aqui tão perto. Tenho ideia que a cultura não é coisa que importe muito... mas isso é uma coisa minha. Tal podia ser notado pelo facto de cerca de metade dos lugares sentados do Coliseu estarem vazios. Mesmo assim, a Lisbon Film Orchestra deu um concerto espectacular e só posso dizer que, se são daqueles que adoram música e filmes, perderam uma noite e pêras!

Infelizmente, apesar de ter conseguido bilhetes para este espectáculo fabuloso, o mesmo já não me foi possível para o último concerto dos HIM em Portugal. A banda vai desmembrar-se e esta seria a minha última oportunidade para os ver ao vivo, coisa que nunca consegui. Por isso, assumi o compromisso de ir vendo, com alguma regularidade, os sites de vendas de bilhetes online. Bem sei que uma coisa não compensa a outra, mas assim faço mais por mim e um pouco pela cultura, da qual eu preciso em largas quantidades.

Se alguma vez a Lisbon Film Orchestra voltar ao Porto, ou alguma cidade cá pelo norte, com certeza irei vê-los com o mesmo entusiasmo. Ou talvez mais! =)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Comic Con Pt 2016

Para comemorar o Geek Pride Day, celebrado a 25 de Maio, aqui fica o post pelo qual têm desesperadamente esperado: a reportagem mais ou menos profissional da edição da CCPT2016!!

O grande mote das diversas edições da Comic Con Portugal é o já conhecido Be Whatever You Want. Mas acho muito sinceramente que esta terceira edição, mais uma vez realizada na linda cidade do Porto, deveria ter como mote Be Nostalgic.


Como devem ter reparado neste post, a viagem ao mundo geek já estava marcada e havia uma pequena Nightwisha Maria muito empolgada, pronta para rumar à aventura. Apesar dos grandes planos para quatro novos cosplays, consegui terminar apenas dois, o que, tendo em conta o tempo disponível e a minha doideira, foi uma conquista. Para esta edição conseguimos ficar na casa de um casal amigo (cujo espaço na Comic Con foi um verdadeiro sucesso!), o que fez com que conseguíssemos tirar maior e melhor partido do evento sem termos que correr para apanhar transportes.

Como prometido, aqui fica a pseudo reportagem da Nightwisha Maria da Comic Con Pt 2016. Demorou, mas veio!! Preparados para mais um post testamental? =P


Dia 1 - One quarter Sayajin

Por onde começar... As expectativas estavam muito altas e a vontade de viver alheada do mundo normal durante quatro dias foi incrivelmente avassaladora. Este primeiro dia serviu para perceber de que forma o espaço estava organizado e preparar as nossas andanças para todo o evento. Como foi um dos dias com menos gente, deu para ver tudo assim por alto, mas com calma, e rever imenso pessoal.

Logo nesse primeiro dia notamos que a Con estava "mais pequena". Havia menos expositores/ lojas e bem mais espaço entre cada uma das suas bancas. O "espaço excedente" no pavilhão das lojas foi utilizado para albergar o Artist's Alley que contava, igualmente, com menos artistas.


Neste dia decidi reutilizar o cosplay da Pan, para entrar na nova onda de Dragon Ball. Não tirei muitas fotografias, mas as pessoas que me abordaram ou que eu abordei foram super simpáticas, incluindo o Son Goku sayajin de nível 4 espanhol, e até me chegaram a pedir um kamehameha ^^ Já o Moço foi com uma versão casual do Capitão Kyōraku Shunsui do anime Bleach.

(À esquerda) Parece que a Pan invocou o dragão errado... (À direita) Shunsui, o
jeitoso a quem nem um (uma) dragão (dragoa) resiste.

Claro que o dia não estaria completo sem que passássemos na banca da Saída de Emergência. O Moço sugeriu que fossemos lá logo no primeiro dia, visto que em anos anteriores, não conseguimos encontrar o que queríamos porque os livros com bons descontos desapareceram como o fumo. Fui então presenteada pelo Moço, como é já tradição, com dois livrinhos novos: Flashfoward, de Robert J. Sawyer e As Fabulosas Aventuras de Solomon Kane, de Robert E. Howard, e ainda trouxemos alguns pins da SdE para a nossa colecção =)


Dia 2 - Because I'm Abby Sciuto and I know things

Este foi o dia das compras. Sim, este ano fizemos compras! (As da SdE não contam, porque são tradição). Compramos arte. Tal como na quinta-feria, este dia foi bastante calmo em termos de quantidades de povo a circular. Deu perfeitamente para, agora que já tínhamos visto tudo de uma forma geral, parar nos locais onde desejávamos "perder" algum tempo. Sem dúvida que, para mim, esta edição da Comic Con foi devotada, pela minha pessoa, aos artistas.

Para além de reencontrarmos as meninas do Encanto das Fadas, o pessoal do Pixelart, a Sora e a Kika, conseguimos realmente apreciar e conversar com muitos outros artista e artesãos que se encontravam no evento. Tenho-me apercebido que estes são os elementos da Comic Con aos quais é dado menos "tempo de antena" ou até nenhum crédito, o que, especialmente depois desta edição, considero um erro muito grave.

A oferta de arte era enorme e eu, basicamente, queria levar tudo. Acabei por encomendar um anel da Luna de Sailor Moon à menina do Jewels don't Shine, que é super divertida e me deixou a babar pelas Polly Pockets em prata que tinha expostas. Não foi desta mas, mais cedo ou mais tarde, uma delas vai comigo para casa, não duvidem ^^ O Moço comprou a BD da Sora, R.E.D. (que já está na minha to-read list) e eu encomendei-lhe um desenho de um dos meus pokemons favoritos, o pequeno e fofinho Eevee. Também tentamos ganhar o quadro do Link (Legend of Zelda) que os Nerdbeads estavam a rifar... mas não tivemos sorte =P

Capa do manga R.E.D., retirado da página do Deviantart da autora; banca
da Bohemian Weasel, retirada da página de Facebook da artista.

Umas bancas ao lado da Sora e da Kika, estava a Bohemian Weasel, onde a artista Soni e a sua mãe, a primeira inglesa e a segunda portuguesa, nos deixaram deslumbrados. Tanto eu como o Moço compramos vários prints das ilustrações disponíveis (porque muita coisa já tinha esgotado, incluindo uma do meu adorado Edgar Alan Poe). As composições inspiradas em Lord of the Rings e as versões originais e mais obscuras de diversos fairy tales deixaram-nos rendidos. Um dia próximo, o Covil terá um grande quadro com as diversas ilustrações da Soni ^^

No que ao cosplay diz respeito, voltei a usa o fato de Abby Scuito, mas com algumas alterações. Como a personagem é fértil em guarda-roupa e penteados, mantive apenas aquilo que seria essencial para que fosse reconhecível. E foi, pois claro =) O Moço é que foi confundido (às vezes de propósito =P) com um certo treinador de pokemon. Apenas os mais atentos detentores de mentes pouco recomendáveis conseguiriam chegar até ao Kintaro Oe de Golden Boy.


Em cima, com os Nazgûl de LotR e a jogar "peixinhos" (Free that Fish)
Em baixo, com uma menina super simpática que eu desconheço, sorry!; "Kintaroeseption" no stand da
Jewels don't Shine; Os fantasmas de casa Ravenclaw: Helena Ravenclaw e Moaning Myrtle.


Dia 3 - Come to the dark side

Terceiro dia de Con e aquele que se esperava ser o caos de povo. Obviamente, estávamos certos. Sábado é, por excelência, o dia com mais pessoas e com mais actividades chamativas do grande público, incluindo o concurso do Heróis do Cosplay.

A maior parte do tempo foi passada na parte menos claustrofóbica do evento, ou seja, longe das bancas das lojas de merchandise. Ficámos então no pavilhão onde estavam os videojogos, a 501th Legion Portugal e a Cosplayer, que mais uma vez disponibilizou vestiários para os cosplayers que quisessem mudar de roupa no recinto, o seu canto lounge e a SOS Cosplay para quem necessitasse de reparar qualquer coisa no seu fato. Mesmo ao lado estava ainda a Corte do Norte, mais uma vez convidada pela organização da Comic Con, com um espaço dedicado ao steampunk. O pessoal é bastante simpático e organizou actividades para entreter os visitantes. No mesmo espaço encontrava-se também a Skypirate Criations, com as suas obras de arte (sim, arte!), também ligadas ao género steampunk, que vão desde bijutarias e assessórios, a roupa e armaduras! Eles foram, sem dúvida, um sucesso no evento, com toda a gente a querer fotografá-lo e até a entrevistá-los!

Este foi também o dia escolhido para usar o único fato que consegui costurar sozinha. Foi assim uma ideia que se me passou pela cabeça e acho que resultou super bem. Já era do vosso conhecimento que eu queria fazer cosplay de Leia, e esse era realmente um dos fatos que eu estava a preparar, mas aquilo estava a correr tão mal que abandonei (apenas por algum tempo) o projecto e concentrei-me na sua versão sith. Assim, aqui fica a "minha interpretação" de como a Leia poderia ter sido se se tivesse passado para o lado negro da força e enchido a pança de bolachas.

À esquerda e ao centro, fotos gentilmente cedidas pela Cosplayer; à direita, com o maninho Luke.

À esquerda, com a gueixa steampunk (Skypirate Criations) e o personagem Kylo Ren.

À esquerda, o Moço, a fazer javardices com o Império (501th Legion); à direita, com o pessoal da Slypirate Criations.

Dei-lhe o nome de Darth Nyst, de acordo com a teoria de que o nome do Darth Vader vem, não da palavra holandesa para "pai", mas sim de "invader" e que o Darth Sidious vem de "insidious". Vi esta teoria num dos milhentos fórum de fãs e, confesso, é bem mais interessante. A minha Leia é uma antagonista da personagem original, daí Nyst ("antagonist" com "y").

Mas o Moço não ficou nada atrás... antes pelo contrário. Ele foi o muito bravo e livre William Wallace do filme Braveheart. Os mais novos poderão não fazer a mínima ideia do que eu estou a dizer, mas ainda assim, recomendo-lhes que vejam, e aos mais velhos que revejam, esse fantástico filme sobre a força e a vontade de um povo que apenas queria ser livre. Aviso já que os efeitos especiais "são mentira", mas o que interessa, neste caso, é mesmo a história (e a História) que nos conta.

E foi nestes lindos trajos, maravilhosamente construídos pela Sílvia da Skypirate Criations, que o Moço fez as honras da casa a apresentar, mais uma vez, o concurso Heróis do Cosplay. Este ano voltei a não tirar fotos, porque nem a máquina nem a fotógrafa são grande coisa, e há sempre imensos profissionais bem melhores que eu a cobrir a actividade. Fica ainda o vídeo da Mind Bizarre relativamente ao evento, onde aparecemos com os cosplays de sábado. Ela e o seu Moço foram óptima companhia (e também me fizeram delirar pelo relógio de controlo do BB8 ^^ ).

O Moço e a vencedora do concurso Heróis do Cosplay, a Lúzia Gomes (Alnilna Luzia).

Bem bem no final do dia, e muito cansados, ainda fomos a um shopping qualquer jantar porcarias. Podemos dizer que teve a sua piada ver toda a gente na zona da restauração a olhar para nós, pasmados, como se tivéssemos saído de Arkham, mas houve um senhor no elevador que reconheceu a minha personagem, apesar do dark twist! A força também come fast food, quando a necessidade aperta.


Dia 4 - Slytherin Pride

Bem cedinho de manhã, enquanto vestia o último cosplay do evento, dei conta que o sonho estava a acabar. Mas a tristeza deu lugar à alegria mais uma vez quando me vi imersa naquele mundo novamente. Aquele seria o dia para passear e dizer um último adeus a pessoas e bancas fantásticas, para descontrair antes de voltar para o mundo real e para ver o primeiro painel de sempre em todas as Comic Cons que já aconteceram no nosso pais. Sim, eu fui ver uma painel!

Fizemos mais algumas compras, até porque o recinto não estava apinhado como no dia anterior. Comprei um stiker da Death the Endless, de quem fiz cosplay no ano passado, a uma menina super simpática e talentosa, a Mignon. Fui também buscar a encomenda que fizera à Sora e só posso dizer que o meu Eevee ficou uma verdadeira fófura (como um Eevee deve ser ^^ ). O Moço ofereceu-me um porta-chaves daqueles gatinhos asiáticos com um guizo lá dentro e um marcador de livros da minha querida Belle.

Não contava que fosse abordada para tirar fotos no domingo, pois, tanto eu como o Moço, estávamos vestidos como alunos de Hogwarts da respectiva Casa, porque havia muitos cosplays do género e porque, nos vários dias do evento, não tivemos assim tantos pedidos. Mas não é que estávamos enganados? Este foi o dia que tiramos mais fotos e que até nos pediram para fazer uma pequenas encenação de combate, para fazer parte de um vídeo escolar! Sim, estou toda babada e mortinha para ver ^^



A minha teoria é que, apesar de estarmos vestidos de alunos, o facto de sermos de Casas diferentes fez alguma diferença, porque os grupos que iam aparecendo eram mais homogéneos. Para além disso, consegui encontrar duas Bellatrix Lestrange para tirar fotos comigo... E porquê perguntam vocês, quando ela foi capaz de *spoilerapagar algumas das minhas personagens favoritas, incluindo o meu querido Sirius? Porque eu, com este cabelo de piaçaba, e tendo em conta que não há nenhuma personagem feminina com destaque nos Slytherin, só poderia ser a jovem (e solteira) Bellatrix Black. Todas as peças de roupa foram compradas, sendo que algumas são oficiais, outras não e outras ainda são peças de roupa/ calçado comuns do dia-a-dia que reutilizei. Todo o trabalho esteve nos props: o galho de uma árvore que me caiu aos pés perto do Covil que virou uma varinha, o meu livro dos Monstros Fantásticos e onde Encontrá-los, o caderno onde colei a capa do Advanced Potions Making e a maleta de madeira que dentro tinha pequenos frascos de poções (e a minha carteira, vá =P).

O Moço foi de aluno random de Gryffindor, se bem que houve quem lhe chamasse Hermione. Ou Hermínio =P Por mim, ele teria sido o jovem Sirius Black, até porque ele e a Bellatrix são primos, daí que, para mim, fazia todo o sentido. Já diz o povo: quanto mais prima, mais se lhe arrima!

Da esquerda para a direita: Bellatrix ao quadrado (com Vanessa Cardim) =P E euzinha com a Mafs de Sailor Moon^^ 

Conheci pessoalmente a Mafs do A Little Guess! Ela e a irmã fizeram cosplay de Sailor Moon e Sailor Mars, respectivamente, e posso dizer que os fatos estavam muito bons!! Elas são umas queridas e aturaram a minha panca durante um bom pedaço de tempo. Só por isso, merecem um lugar no céu!

Para finalizar o dia, fomos ver o último painel da Con e o único para o qual eu iria esperar uma fila durante umas duas horas. Antes disso, ainda consegui beber o último bubble tea do evento. Timing my friends, timing! Obviamente, o painel que queria ver era o de Remember Harry Potter, que ocorreu duas vezes durante o evento e onde não deu para assistir no sábado porque era ao mesmo tempo que o Heróis do Cosplay. Consegui ficar relativamente perto e omfg, foi tão wow! Para um não Potterhead não teria sido nada de especial, mas para mim a espera valeu. O painel contou apenas com o Jason Isaacs (Lucius Malfoy) e a Katie Leung (Cho Chang), visto que o David Bradley (Mr. Filch) cancelou cerca de uma semana antes da Comic Con. Os actores contaram histórias super interessantes, e o Jason tinha um discurso que era, ao mesmo tempo, descontraído e um pouco galhofeiro (e sarcástico), como calmo e paternalista, com óptimos conselhos para todos.

E foi assim, em grande, que a Comic Con 2016 terminou para mim. O realty check estava mesmo ao virar da esquina e eu não queria nada sair daquele espaço. Sentir o frio da noite na cara já era, para mim, sair definitivamente daquele mundo para voltar à realidade. Mas tem que ser, não é? À saída, o típico "até para o ano" aos seguranças. Vamos acreditar que sim ^^


E agora, momento de reflexão sobre o que correu bem, o que correu mal e o que poderá ser melhorado para uma próxima edição.

Pontos positivos:
Deixar o mundo real por alguns dias é sempre awesome. Conhecer novas pessoas e voltar a encontrar outras com quem estou, em certos casos, uma vez por ano, é fantabulástico. Como diz o Ricky, são as pessoas que fazem os eventos. E nesta edição consegui ainda falar com artistas! Uma vez que os dois primeiros dias da Comic Con tiveram menos gente, deu para ver tudo com calma, conhecer desenhadores e artesãos, os seus trabalhos enquanto babava e ainda encomendar umas coisinhas =)

Ainda que o espaço do evento tenha, no seu todo, diminuído, acho que os pavilhões foram melhor aproveitados, com menos espaços "em branco". A zona da alimentação tinha mais variedade, se bem que não seria pior ter uma melhor ventilação.

Contrariamente ao que muita gente tem dito, eu acho que o cartaz melhorou consideravelmente (não é aqui que me vou pronunciar quanto aos cancelamentos) e que a organização pensou em investir um pouco mais nos convidados. Se vieram todos os actores que eu gostaria de ver? Claro que não, mas também não poderia esperar tal coisa.

Pude falar com artistas e comprar a sua arte. Todos eles eram muito simpáticos e acessíveis, e incrivelmente talentosos, algo que só poderia sonhar em ser. Vi ainda muitos miúdos a fazer cosplay, mais até que no ano anterior, e até famílias inteiras! Isso deixa-me realmente feliz, por vez que as mentalidades estão, progressivamente, a evoluir. Ser cosplayer, independentemente da nossa idade, gostos ou meio profissional, é, acima de tudo, sobre fazermos uma coisa que nos faz bem! Não é uma perda de tempo ou de recursos. É estabelecer metas e cumpri-las, mesmo sacrificando a nossa sanidade mental a fazê-lo. É ser-se designer, costureiro, modelo, actor, fotografo, make up artist, cabeleireiro, inventor, chalupa, criativo. Feliz.

Uma palavra de agradecimento e de reconhecimento à organização da Heróis do Cosplay (e que não é a da Comic Con em si). Para mim, é uma das maiores e mais aguardadas actividades do evento e que tem primado, ano após ano, de uma excelente organização. Não estou a dizer isto por o Moço ter sido a cara do concurso até à edição anterior, mas porque é aquilo que eu realmente sinto. Acho ainda que, apesar do Heróis do Cosplay falar por si mesmo e não necessitar de publicidade extra, dever-lhe-ia ser dado mais crédito. Por isso, aqui fica o link para a página de facebook da Associação Portuguesa de Cosplay e para um vídeo maravilhoso de Adam Savage que todos, cosplayers ou não, deveriam ver.

A minha lista de prendas aumentou consideravelmente. A minha carteira está a ter uma síncope.

Darth Nyst e o seu paizinho!! As father as "daughter" =P

Pontos negativos:
Para mim, o grande aspecto negativo desta edição foi a organização. Não considero que tenha sido pior, no seu todo, que no primeiro ano de evento, mas tendo em conta que esta foi a terceira edição da Comic Con, a "meia desculpa" que tinham no primeiro ano foi-seE já nem estou a falar do facto de ter havido vários problemas com o cartaz, o qual, na manhã do primeiro dia, ainda não estava totalmente "fechado". Estou a falar dos panfletos que ainda estavam a ser dobrados para serem distribuídos durante o primeiro dia doa Con, da entrada pela acreditação que demorou imenso tempo, dos seguranças e dos voluntários que não sabiam responder a nenhuma pergunta porque, muito provavelmente, não foram convenientemente instruídos para tal e do papel higiénico que faltou nos wc's das senhoras. A do papel higiénico nunca me tinha acontecido em nenhum evento do género, Comic Con incluída.

Como disse acima, vi que o espaço do próprio evento encolheu bastante. O facto de estarem menos bancas na Comic Con este ano leva-me a pensar que, ou muitas dessas lojas fecharam (sei do caso de duas em específico) ou chegaram à conclusão que não lhes não compensa estar ali, o que é uma pena. Os autores e painéis literários foram "empurrados" para uma zona que, anteriormente, fora o Artist's Alley, mas que era deslocada de tudo o resto e, para além disso, uma zona bastante fria. Quem viesse do pavilhão das bancas de merchandise para ali, sentiria uma quebra de temperatura bem jeitosa para apanhar um resfriado. E vi um autor, um senhor mais velho, a ser deixado "meio perdido" pelo recinto.

O que falar dos artistas? Desta vez colocaram-nos numa zona mais central, no mesmo pavilhão que as lojas (porque havia espaço que chegasse e sobrasse) e, da mesma forma, eram em número consideravelmente inferior ao dos anos anteriores. Seriam, à vontade, metade. Só não percebo a necessidade de colocar uma parede de contraplacado a separar as bancas das lojas dos artistas. Isso originou a que muitas pessoas nem conseguissem perceber onde estes últimos estavam, e eu acho que só passei pela Artist's Alley no segundo dia da Con.

Não vi qualquer necessidade para que o evento tivesse quatro dias. Continuo a não ver. Para mim foi óptimo por todas as razões acima, e sei que foi uma forma de, no ano passado, se aproveitar o feriado, mas não estiveram assim tantas pessoas no recinto na quinta e na sexta que justificasse o alargamento da Con. As pessoas dispersaram por todos os dias do evento, tendo uma afluência relativamente baixa todos os dias, excepto no sábado. Da mesma forma, a maioria das actividades concentrou-se nesse dia, o que fez com que alguns visitantes tivessem que escolher ir a apenas uma actividade marcada para determinada hora, como aconteceu com o primeiro painel de Remember Harry Potter, o painel de dobragens e o concurso do Heróis do Cosplay, os quais aconteceram todos os mesmo tempo, no sábado. Provavelmente por isso, algumas actividades/ painéis tiveram um take II.

A minha lista de prendas aumentou consideravelmente. Vão haver reclamações por parte da minha carteira... e da do Moço também!

Finalmente, uma das piores coisas que este evento acarreta (e que não é necessariamente seu) é o mimimi que todos os anos aparece como por magia negra nos corredores e pavilhões sobre "quando é que a Comic Con vai ser em Lisboa". Já ouvi todos os argumentos possíveis e imaginários para que o evento vá para a capital: porque fica mais perto para toda a gente, porque assim o pessoal que vem de Lisboa tem mais facilidade com os transportes (nem todos, apenas os mais incautos), porque Matosinhos (melhor dizendo, Leça da Palmeira!) não é Porto, porque na Exponor só há um multibanco, porque há filas. Pessoal, já chega. Obviamente, eu vou sempre dizer que prefiro que o evento seja no Porto, porque fica mais perto para mim e porque quase todos os outros eventos são em Lisboa. Mas essa é a minha opinião puramente egoísta, eu tenho consciência disso e, como tal, não a vou impor a ninguém. Como eu me desloco a outros locais para ir a determinados eventos, também o faz tanta e tanta gente, de todos os pontos do país, muita dela da capital, e não os vejo queixar-se. Há argumentos que são perfeitamente plausíveis, mas porque há filas já não pode ser no Porto?! Neste tipo de eventos, há sempre filas, quer seja aqui, quer seja na Suécia. Não vejo qual a preocupação, até porque, sinceramente, acho que é uma questão de tempo até a Comic Con passar a acontecer em Lisboa. Mais tarde ou mais cedo, todos os eventos com nome passam para Lisboa. Vejam o caso do Vagos Open Air, que agora é apenas VOA. Por isso, basta esperar e, já que vieram ao Porto, aproveitem para comer uma bifana das boas ou uma francesinha. Se não for pela Con, venham ao Nuorte pela comida, que não se vão arrepender ;D

Digimon e Harley Quinn.


No seu todo, posso dizer, sem grandes surpresa, que adorei ir à Comic Con, porque viver naquele (também meu) mundo é sempre maravilhoso, juntamente com povo fantástico. Espero, claro, poder voltar para o ano, e nos anos seguintes, seja onde for, mas de preferência no Porto porque me dá mais jeito. É um argumento válido como todos os outros e o médico disse que não podia ser contrariada. Ele também disse que o sarcasmo me faz bem =P


Para finalizar, aqui fica a tradicional lista de hastags, as quais só vão entendidas por aqueles que as entenderem, e que vêm tão estupidamente caracterizando os posts mais apalermados (mas também os mais hilariantes) deste blog à beira mar (e penhasco) plantado.

#sesobrevivermosàcomicconoapocalipseestáganho #onequartersayajin #kamehameha #avozinho #imabbysciutoandiknowthings #fuiabordadaparatirarumafotoàsaídadacasadebanho #queroumfurbacca #tambémjogueipeixinhos #freethatfish #cometothedarksidewehavecookies #princessleia #leiaorganaskywalkersolo #darthnyst #daddysgirl #maytheforcebewithyou #euprecisodeumrickynaminhavida #quesáfodavaiassim #nadadistoémeuexceptoaroupainterior #povoquelavasnorio  #jávistasminhasmãosparecequefizumexameginecológicoprofundo #daquianadaficosemepiderme #sãotodasminhasfilhas #contraoboi #freedom #slytherinpride #bellatrixblack #missbella #ojasonmandouumaspiadolassobreosfãsfalaremtãobeminglês #aocontráriodeoutraspessoastipomoderadoresdepainéis #elenãodissequeerasobreissomaseunãosouparva
#queriadesmaiaracidentalmenteparaocolodojason #masnãomedeixaram #entendedoresgonnaentenderate


* Todas as fotos que aparecem aqui foram tiradas por mim ou pelo pessoal que me acompanhou, excepto as devidamente assinaladas. Em todas foi pedido aos intervenientes o seu consentimento. Um muito obrigada ao pessoal que me enviou fotos da minha pessoa em cosplay, apesar de não me lembrar dos vossos nomes, e ainda ao Tiago Vasconcelos, fotografo da Cosplayer E-zine (devidamente assinaladas no texto ou nas próprias fotos). Um muito obrigada a todos!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A felicidade e os animais da quinta

Um dia destes estava à espera no carro, no meu habitual "lugar do morto". Já calculava que ia ficar um bom tempinho lá, por isso, liguei o rádio, a minha fiel companhia nas horas de seca. Como uma pessoa com voz de cana rachada que se prese, também gosto de cantar as musiquetas transmitidas nos vários canais FM, mesmo não sendo aquelas que mais gosto. Mas não sou assim tão tonta de me pôr a berrar a plenos pulmões quando sei que tenho o vidro do carro aberto. Só faço isso quando o ambiente está completamente selado, para não matar ninguém de susto.

Conforme trauteava de forma bastante discreta alguma frasesinhas, ia olhando para os lados para ter a certeza que os homenzinhos que fiscalizam o estacionamento pago (o equivalente aos Emélios em Lisboa) não estavam à espreita. Sim, havia algum propósito para eu estar ali, pois claro, o era evitar do "usar a moedinha", e o posso garantir que sou bastante eficiente nesta função.

Em determinado momento em que não posso precisar, entre os não sei quantos minutos de música seguida, transmitiram alguma publicidade. Em especial, um certo anúncio sobre uma empresa que comercializa produtos lácteos. Eis senão quando, ocorreu a seguinte situação

* Senhora Incauta aproxegou-se do veículo e instintivamente, olhou para dentro do carro.*
*Nightwisha Maria bamboleava-se da esquerda para a direita enquanto cantava, a plenos pulmões, com o vidro aberto, "uma vaca feliz, outra vaca feliiiizz....!".*
*Nightwisha Maria apercebeu-se do vulto e, instintivamente, olhou para a Senhora Incauta.*
*As duas trocaram olhares.*
*Nightwisha Maria ficou petrificada, com cara de Joker dos trezentos, a olhar para a Senhora Incauta.*
*Senhora Incauta foi à sua vida, provavelmente a considerar emigrar para uma dos novos sete planetas descobertos pela NASA.*

Momento awkward do dia: ultrapassado com sucesso.
Reward: 5k de juízo, mas estava esgotado no mercado, por isso, foi uma cara de ursa para mim.





NOTA: Estes últimos tempos, como podem adivinhar pelo meu "desaparecimento súbito", têm sido trabalhosos... Mas em breve terão, finalmente, a reportagem super objectiva e profissionalíssima da Comic Con Pt 2016 ^^

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Bibliophilia

Este deveria ser um post de shaming... mas é mentira. Ler pode não ser o melhor remédio, mas é um dos melhores e que eu recomendo vivamente (àqueles que gostam, claro está ^^ ). Bibliophilia é o sentimento característico de um adorador de livros (bibliophile). Portantos, eu.

No ano passado, mantive as minhas visitas a feiras de usados, tendo apenas comprado edições novas em casos especiais. Mas o verdadeiro milagre surgiu em forma de stock off de uma livraria em Braga, que precisava de ganhar espaço e, por isso, fez uma mega promoção de vários títulos que simplesmente não eram vendidos. Sabem aquelas edições da Europa-América que já não se vêem nas livrarias há anos? E entre elas, verdadeiros achados.

Acabei, por isso, por comprar uma estante nova. Foi o suficiente. Durante alguns meses. Em minha defesa, tenho a dizer que a estante em questão é daquelas que servem de apoio para a televisão, logo, não é muito grande, e as suas prateleiras não são muito altas, albergando apenas livros de bolso ou de dimensões aproximadas. Já tenho, novamente, livros empilhados num cantinho, mas ainda assim, bem arrumadinhos, pois n'O Covil, não se maltratam esses pequenotes.

E é por tudo isso, porque adoro livros e porque também gosto de me gabar de vez em quando, que vou continuar a tradição iniciada o ano anterior de fazer contas às estantes (e à carteira), com as aquisições livrescas de 2016:

Agora é tempo de deixar as letras e passar aos números, não é? Tenho a dizer que este foi o ano em que comprei mais livros, superando em larga escala as aquisições do 2015. Ao todo, foram 59 livros, quase o dobro do ano passado. Mas, em contrapartida, gastei menos dinheiro, num total de € 97,24. Isto dá em média cerca de € 1,65 por livro, um número bem risonho (menos de metade que no ano passado) e um verdadeiro recorde.

Mas estas não são os únicos novos inquilinos das estantes do Covil. Nas contas não entram os livros oferecidos, todavia, sinto-me na obrigação (e na babação =P ) de os listar também:

Em resumo, o mercado de portais mágicos não está nada fácil, mas sempre se consegue encontrar desses pórticos que nos transportam para mundos encantados, repletos de magia, aventura e criaturas fantásticas. Apesar de medonho no geral, 2016 foi um ano fantástico para a minha bibliofilia. O mesmo já não poderão dizer as minhas prateleiras, que estão novamente sem espaço. Mas que posso eu fazer? Ler é, sem sombra de dúvidas, o meu super poder. Se pudesse, viveria mais tempo entre as suas páginas que no mundo real. Ler faz-me ser uma pessoa melhor.

E como não podia deixar de ser, a primeira compra do ano já foi feita, acompanhada, muito provavelmente, da oferta da nova colecção de livros da Visão ^^ 

Pessoa com problema de leitura extremamente grave procura nova estante para relação séria. Promete à estante muitos livrinhos para albergar no seu lindo Covil e, ocasionalmente, uma vela de aroma a canela ou madeira das Índias.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nobrezas

Certo dia, eu e o Moço fossos levantar um voucher de alojamento grátis de uma agência de viagens. Chegados ao local, foi-nos pedido um código promocional que o Moço tinha, porque o contacto tinha sido estabelecido através dele, e ainda o nosso nome, idade e profissão. Como ele é que tinha sido o connect, começaram o inquérito com ele.

Indivíduo 1: Boa tarde, vieram para a apresentação da "Agência de Viagens X"?
Moço: Sim sim.
Indivíduo 1: Muito bem. Então como se chama?
Moço: Moço.
Indivíduo: E que idade tem?
Moço: 33 anos.
Indivíduo 1: E a profissão?
Moço: Operador de loja.
Indivíduo 1: Muito bem. E a esposa?
Nightwisha Maria, *relevando o título de esposa* - Nightwisha Maria.
Indivíduo: E a idade?
Nightwisha Maria: 26 anos.
Indivíduo 1: Profissão?
Nightwisha Maria: Advogada.
*Pausa*
Indivíduo 1: Advogada? E exerce cá?
Nightwisha Maria: Sim, aqui em Braga.
Indivíduo 1: Mas tem escritório na cidade?
Nightwisha Maria: Sim.
Indivíduo 1: Muito bem, vão só aguardar um minutinho e já vos chamo.


Primeiro momento de constrangimento ultrapassado com sucesso. Nível dois desbloqueado.

Fomos então chamados para uma sala, onde se encontravam vários promotores que iram fazer uma apresentação da agência de viagens e tentar fidelizar os vouchariano que ali se encontrassem. Devo dizer que o promotor que nos calhou era bastante simpático, ao contrário do fulano que estava encarregue de apresentar as propostas de pagamentos para a fidelização. Era um bronco autêntico e, vendo que não estávamos interessados nos valores que nos apresentaram, questionou várias vezes, ainda que indirectamente, se o promotor tinha ou não feito bem o seu trabalho, ao ponto de ter tido necessidade de lhe responder na mesma moeda. Se foi bom a tentar persuadir-nos? Sem dúvida. Mais ainda conseguimos pensar pela nossa cabeça, muito obrigada.

Mas como eu ia a dizer, o promotor lá iniciou a sua apresentação, começando por explicar como fazíamos para utilizar o voucher. Alguns blá blá blás depois, o rapaz abriu o voucher para nos mostrar e acabar de preencher e, fazendo uma pausa, pergunta:

Indivíduo 2: Mas quem é advogado dos dois?
Nightwisha Maria *erguendo o braço*: Eu.
Indivíduo 2: Bem... houve aqui uma confusão...
*Nighwisha Maria e Moço olham para o voucher e vêem que o único campo preenchido é a profissão... da Nightwisha Maria. Ainda pensam que há dois papeluchos para preencher, um para cada uma das pessoas em causa, já que o voucher só podia ser levantado em casal. Mas não, era apenas um papel para os dois.
Indivíduo 2: Bem, é para usarem os dois, não é verdade?
Nightwisha Maria e Moço: Sim.
Indivíduo 1: É que o meu colega preencheu o voucher com a profissão da Nightwisha Maria, apesar do contacto ser o Moço. Mas sendo assim, como é para usarem os dois... Vai levar a Nighwisha Maria, não vai Moço?? *risos* Vamos então preencher o voucher com os dados da Nightwisha Maria e depois coloco os contactos dos dois.
Nightwisha Maria e Moço - Ok.

Segundo momento de constrangimento ultrapassado com sucesso. Nível três desbloqueado, para aturar o palerma de quem já vos falei em cima. Naquele momento não deu para falar nada entre mim e o Moço, mas o meu alerta de *situação surreal* fez timm timm timm, mayday mayday! Ele era o contacto, mas eu é que tinha a profissão que interessava, a profissão que traz dinheiro para casa (not yet), a profissão nobre. Até o promotor ficou constrangido, mas até que conseguiu dar a volta à coisa sem fazer grande aparato. E isso é mais uma prova para o bronco de que ele é um bom profissional.


Claro que, no final, e em retrospectiva, a coisa deu para rir, mas mais para não chorar. Não entendo estas mentalidades comezinhas sobre nobreza de profissões. Se eu gosto daquilo que faço? Claro! Não investi anos e anos da minha vida para nada, muito menos para ter um suposto título. Mas a nobreza, independentemente do trabalho, nem sempre fácil, que eu e os meus colegas desempenhamos todos os dias, está, precisamente, no carácter de todos nós, não na nossa cédula profissional. Uma profissão é nobre quando os seus membros o são "cá dentro" e não nos botões do casaco. E não, não castigamos ninguém em nome da Lua.

Cheguei à conclusão, um pouco triste, que o Moço é tipo o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo. Não sabem quem é? Pois eu também não sabia até às comemorações dos noventa anos da Rainha Elizabeth II de Inglaterra. Sabem aquele senhor de certa idade, com vestimenta militar, que anda sempre com ela para todo o lado e que se mantém a uma passo a trás da monarca? Pois bem, é o marido dela, o Príncipe Philip da Grécia e da Dinamarca, Duque de Edimburgo. E eu que pensava que a mulher era viúva há décadas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Cada um tem o estacionamento que merece

Desde que me mudei quase permanentemente para Braga, já vivi em várias casas. Em algumas partilhei "instalações", noutras não, numas tive boas experiências, noutras não. Mas em nenhuma precisei de estacionamento (pelo menos, até agora), se bem que, à porta de quase todas elas, havia um lugar especialmente reservado para mim.


Na segunda casa onde vivi, e onde estive três anos, mesmo à porta do prédio havia (e ainda há) um lugar de estacionamento reservado para pessoas com deficiência. Quando me mudei para o prédio do lado nessa mesma rua, não havia "lugares especiais". Só que, passado algum tempo de lá estar, o que é que aparece mesmo em frente à porta da entrada? Um lugar de parqueamento para deficientes.

Entretanto, vim aqui para o Covil. À porta, só lugares "normais" para deixar o carro. No entanto, a entrada do prédio é por um arruamento sem saída, não na rua principal, por onde posso "aceder" se passar pela loja que tem no rés-do-chão do edifício. E o que é que existe mesmo ao lado da entrada da loja pela rua principal?! Não, não é um lugar de parqueamento para deficientes.

São dois.

O universo está a mandar-me uma mensagem, que de subliminar não tem nada: tira a carta e arranja uma chicolateira qualquer para guiar e rasar valente contra os muros, que lugar para deixar a carroça já tens.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Never give up, never surrender

Poderão ter achado estranho que, desde a virada do ano, a vossa fantástica Nightwisha Maria, Primeira de Seu Nome (e muito humilde, portantos), deu numa de desaparecida.

Mas isso tem uma explicação. Perto do final do ano recebi uma notificação a informar que a minha oral de agregação estava marcado para 06 de Janeiro. Esse é, para quem ainda se inscreveu na Ordem dos Advogados ao abrigo do anterior estatuto, o último exame de estágio e que ditaria se seria, finalmente, advogada.

Nunca me senti tão nervosa ou tanta pressão nas minhas costas. Já tive um curso para terminar, uma tese de mestrado para defender, mas nada disso se comparou a este obstáculo que, tal como muitos outros, teria que ultrapassar. Passei mais de uma semana enterrada em papeis, hipóteses, momentos em que achava que seria invencível e outros, porém, que não teria forças suficientes. Fui confortada por algumas pessoas próximas, como o Moço que esteve incondicionalmente ao meu lado, e desconsiderada por outras pessoas igualmente próximas, que nunca deram valor aos meus sacrifícios e que acham que a minha obrigação é ter sempre sucesso. Quanto a estas últimas, não lhes dedicarei, aqui, mais nenhuma linha.

Ontem senti o peso do mundo em cima de mim. Mas posso dizer com muita satisfação e gratidão para os que estiveram ao meu lado que, ao cabo de cerca de oito anos e meio de formação entre licenciatura, mestrado e várias fases de estágio, de sacrifícios, de luta, de alegrias, de desilusões, e dos sonhos que fui deixando pelo caminho em nome de um outro sonho maior, que consegui passar na oral e que sou, FINALMENTE, Advogada.

Acredito piamente que as cuecas de Star Wars que estava a usar também fizeram o seu trabalho e têm quota parte no meu sucesso.

Agora, seque-se mais trabalho, muito mais trabalho. Se vai fácil? Claro que não. Mas sei que consegui ter a profissão que quis. Never give up, never surrender.



Galaxy Quest (1999), em português Heróis Fora de Órbita, é um filme norte-americano e uma paródia de Star Trek, cuja catchy frase é never give up, never surrender. Apesar de ser uma comédia, é um filme fantástico, tem aquela sempre presente componente dramática sobre acreditar em si mesmo. Vejam este filme, valerá a pena.